MIGUEL GONTIJO

miguel gontijoFico imaginando o quão maravilhado Miguel Gontijo se sentiu, quando teve pela primeira vez contato com a obra do alemão Albrecht Dürer, principalmente com sua gravura em madeira de topo, numa técnica ainda hoje não superada e pouquíssimas vezes igualada. A admiração foi tão grande, que, numa das gravuras, a intitulada “Malencolia I”, se inspirou, para elaborar os dez quadros da exposição “A Pedra da Melancolia (completada com mais dois: “Para se tornar homem “ e “Para se tornar mulher”, as quais, embora diferentes da série, garantem a passagem para a fase seguinte).

O título geral da série não quer significar que esta pedra seja o símbolo da melancolia, mas apenas que esta pedra é aquela que aparece em “Melancolia” de Dürer, da qual Miguel se apropriou e, tal como ela aparece naquela gravura, mostrando-se-nos sempre através do mesmo ângulo, o nosso artista faz questão que ela se repita exaustivamente em todos os quadros, com exceção do nono, onde apenas o anho aparece e nos comunica uma sensação de inefável solidão; mas no décimo é retomada como que numa apoteose, fazendo-se ali, afinal, a apologia ao seu novo significado. Está superado aquele de pedra alquímica da espera, presença do soturno Saturno, o cabalístico planeta 34 (na gravura, acima do melancólico anjo, está o quadrado mágico, no qual todas as colunas, incluindo as duas transversais, somam este número 34, enquanto na última está a data da obra, 1514, ladeada de 4 e 1 (4 + 15 + 14 + 1 = 34).

Um dia chegará em que ainda conseguirei sondar o lado cabalístico de Miguel em suas pinturas. Por enquanto, contento-me com definir que a sua Pedra (e não mais a de Dürer) também cresceu no tempo, desmistificou-se e, em sua concretude poliedral, sintetiza a evolução do Homem, seja no campo cultural, seja no campo das edificações – e como já andamos neste caminho! Assim, a meu ver, a pedra deixou de ser a da espera da transformação desejada, para tornar-se emblema do humano esforço de crescimento. Clique aqui para saber mais.

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