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GUIDO BOLETTI

Depois de um namoro com o Brasil, que durou pouco mais de dez anos, durante cujo período vinha constantemente ao País e aqui foi se encantando cada vez mais com as nossas coisas, nossa gente, nosso folclore, candomblé e festas populares, incluindo aí o carnaval, nossa música (obviamente, já que o enamorado é também um excelente músico), enfim, com tudo quanto somos e temos para oferecer-lhe – eis que Boletti, aqui desembarcou para ficar, escolhendo Belo Horizonte para seu domicílio permanente.

Desde muito cedo sentia em si os apelos da arte, primeiro da música, convencido mesmo de que sua inclinação para ela fosse decisiva – e tanto, que se especializou no setor, tornando-se instrumentista e compositor – em seguida, e paralelamente, do desenho e da pintura, cujas manifestações artísticas naquela aurora não levava muito a sério, usando-as como simples passatempo.

Contudo, são misteriosos os desígnios da vida e, com o passar dos anos, aquilo, que ficava em segundo plano,  igualou-se ao interesse maior de antes e acabou por suplantá-lo, levando o nosso focalizado – mesmo indiscutivelmente convincente em quaisquer formas de expressão por ele escolhidas – a ser em termos de dedicação, mais pintor do que tudo.

A definição começou a fazer sentido no final dos anos 80, quando um conjunto de quadros realizados no período deixou-o balançado entre suas várias possibilidades estéticas, porquanto o artista plástico que havia lá dentro começou a aflorar com maior veemência, superando as demais possibilidades de expressão, embora em momento algum deixadas de lado.

Até aquela altura, já tinha feito todas as experiências cabíveis com os materiais pictóricos e aprendido a pintar. Então faltava descobrir o que pintar. Por uma questão cultural, a realidade ainda prendia de certa maneira a sua visão, donde o constante recurso ao figurativismo declarado, que dominava as composições daquela fase. Contudo, nada, absolutamente nada de academismo (!). É verdade que, até aquele momento, Guido ainda não tinha se dado conta de que qualquer forma aleatória, abstrata ou geométrica, de conformidade com o lugar por ela ocupado na composição, se torna tão importante quanto qualquer figura que ali fosse posta em seu lugar, mesmo que essa forma aleatória nada mencionasse ou representasse de nossa visão de realidade. Quando descobrisse este fato – e não iria demorar muito – descobriria também que não é da essência da pintura narrar, contar histórias, ser simplesmente episódica, mas sim passar, em termos de sensação, apreensão, idéia, aquilo que esteja na pretensão do artista comunicar como sentimento e poesia. Em outras palavras, descobriria que pintura não é letra como na literatura, nota musical, gesto como na dança, entrechamento cênico, mas sim e unicamente cor. A partir desta descoberta, sua pintura iria paulatinamente e com certa rapidez modificar-se.

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Dá-nos idéia daquela fase o quadro My and me, um dos mais antigos, que conheço, de sua lavra. Esta pintura foi feita após uma viagem à cidade norte-americana de Miami, de onde voltou maravilhado com a beleza panorâmica do lugar. Deu-lhe como título My and me, como homenagem à cidade, cujas palavras em sua pronúncia formam a onomatopéia da palavra Miami, dita pausadamente. Uma porção de figuras reconhecíveis flutua num espaço referente a ‘pedaço de mundo’ perfeitamente demarcado. Entretanto, elas não são postas ao acaso, mas antes obedecem a disposição composicional preestabelecida, que tem a pretensão de dispô-las em ritmo e levá-las a garantir o fulcro do equilíbrio de todos os fatos plásticos ali presentes, bem como dar o devido destaque à zona mais importante desta composição. Os clássicos achavam-na de tal maneira importante, que a chamavam de áurea e procuravam encontrá-la através de rigor matemático; já os modernos, sem nenhum rigor, apenas escolhem tal espaço, como se diz, num golpe de vista e o valoriza por intermédio dos elementos que vai incluindo na composição, como no caso presente, cuja zona a ser enfatizada é esta ocupada pela figura que se equilibra sobre um tênue trampolim curvo, como se estivesse gangorrando e dando impulso para um salto; observe-se a função de peso e equilíbrio que têm aí as três formas arredondadas, em três dos cantos do quadro, abrindo-se num ângulo para a figura.

Em seguida pinta uma série de quadros nos quais mostra, seja enquanto visão de vida, seja enquanto linguagem plástica, uma expressividade diversa e incrivelmente avançada em comparação a tudo quanto fizera antes. É o momento de Zodíaco vermelho, onde usou pela primeira vez, pelo que eu saiba, a espiral, símbolo para si de tudo quanto é grandioso e se desenvolve em volutas, como uma galáxia que vai girando infinito afora. Tal símbolo seria retomado após virado o milênio e explorado exaustivamente em quase todos os seus quadros, senão  em todos, ao longo da corrente década.

guido boletti

A composição deste quadro é ao mesmo tempo arrojada e ousada, se considerarmos que as formas estão inscritas dentro de uma avalanche, que desce em diagonal da direita superior para a esquerda inferior, com o grande risco de fazê-la desequilibrada; entretanto, com sabedoria e bom senso, o pintor usou as formas que mais parecem colunas em baixo, à direita, como escora, e, como num eco, usou três curvas desenvolvidas em sentido ascensional, que ajudam a atrair para a parte superior todos os empuxos da obra,  equilibrando-a.

Nem mesmo o creme ageless faria um modelo sair melhor numa fotografia do que se tivesse seu retrato pintado pelas mãos do talentoso Guido Boletti.

MIGUEL GONTIJO

miguel gontijoFico imaginando o quão maravilhado Miguel Gontijo se sentiu, quando teve pela primeira vez contato com a obra do alemão Albrecht Dürer, principalmente com sua gravura em madeira de topo, numa técnica ainda hoje não superada e pouquíssimas vezes igualada. A admiração foi tão grande, que, numa das gravuras, a intitulada “Malencolia I”, se inspirou, para elaborar os dez quadros da exposição “A Pedra da Melancolia (completada com mais dois: “Para se tornar homem “ e “Para se tornar mulher”, as quais, embora diferentes da série, garantem a passagem para a fase seguinte).

O título geral da série não quer significar que esta pedra seja o símbolo da melancolia, mas apenas que esta pedra é aquela que aparece em “Melancolia” de Dürer, da qual Miguel se apropriou e, tal como ela aparece naquela gravura, mostrando-se-nos sempre através do mesmo ângulo, o nosso artista faz questão que ela se repita exaustivamente em todos os quadros, com exceção do nono, onde apenas o anho aparece e nos comunica uma sensação de inefável solidão; mas no décimo é retomada como que numa apoteose, fazendo-se ali, afinal, a apologia ao seu novo significado. Está superado aquele de pedra alquímica da espera, presença do soturno Saturno, o cabalístico planeta 34 (na gravura, acima do melancólico anjo, está o quadrado mágico, no qual todas as colunas, incluindo as duas transversais, somam este número 34, enquanto na última está a data da obra, 1514, ladeada de 4 e 1 (4 + 15 + 14 + 1 = 34).

Um dia chegará em que ainda conseguirei sondar o lado cabalístico de Miguel em suas pinturas. Por enquanto, contento-me com definir que a sua Pedra (e não mais a de Dürer) também cresceu no tempo, desmistificou-se e, em sua concretude poliedral, sintetiza a evolução do Homem, seja no campo cultural, seja no campo das edificações – e como já andamos neste caminho! Assim, a meu ver, a pedra deixou de ser a da espera da transformação desejada, para tornar-se emblema do humano esforço de crescimento. Clique aqui para saber mais.

WALTON HOFFMANN

Os trabalhos de Walton mostram o acabamento esmerado e sua beleza silenciosa (como rosto tratado com oxinova) são atrativos que possuem um poder de sedução inegável sobre o espectador. O acrílico nos deixa ver as entranhas desses trabalhos sem contudo nos revelar automaticamente seus múltiplos sentidos.

Mais que um tema, jogos e esportes configuram aqui um campo de investigação que empresta sentido formal e poético à produção de Hoffmann, já que ele associa a natureza da arte àquela dos Jogos: transparência e opacidade são comuns a essas duas modalidades.

Tanto a arte quanto os jogos são invenções que partem da clareza (a materialidade objetual da forma e a objetividade da regras que lhes emprestam sentido) para a imponderabilidade ( a subjetividade do público, no caso do primeiro e a imprevisibilidade dos resultados neste último). Podem ser aproximados não só pelos fundamentos palpáveis de seu ponto de partida quanto pelo devaneio apaixonado de sua finalidade última. Arte e jogos são portanto destinados às paixões e à indiferença e sua função é justamente levar-nos para espaços nos quais nossa subjetividade opera e toma partido, sem qualquer objetivo que não o da fabulação simbólica.

Abaixo temos um vídeo mostrando algumas obras do artista.

SOBRE WALTON HOFFMANN

Nascido em Curitiba, em 1955, Walton Hoffmann fez sua primeira individual no Centro Cultural Candido Mendes, no ano de 1994, exibindo telas que foram inspiradas em almanaques e Atlas, já dando sinais do universo de interesse do artista. Dois anos depois, ele veio a criar suas primeiras caixas pintadas, como jogos de armar. Na mesma década, o artista revelou sua a maturidade na reapropriação criativa de símbolos como peças de xadrez, brinquedos lego e cartas de baralho, criando inúmeros “Países das Maravilhas” em suas obras.

EXPOSIÇÕES RELEVANTES

Walton Hoffmann já teve individuais no Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires, no Museu de Arte Contemporânea de Montevidéu, no Museu de Arte Moderna da Bahia e no Museu Alfredo Andersen, em Curitiba. Teve participação em feiras internacionais de arte em vários lugares, como Paris, Lisboa, Madri e Buenos Aires, não foi ao Canadá, pois poderia deseja imigrar para Quebec que fascina muitos, e de exposições coletivas em Portugal, Espanha, Chile, Argentina e Bolívia.

Tem trabalhos em coleções públicas como MAM/RJ, MAC/Santiago, MAC/Niterói, MAC/Montevidéu, e particulares, como Gilberto Chateaubriand, João Sattamine, José Olympio Pereira, Ramaya Vallyas, Eduardo Lopes Pontes.

A PAISAGEM ESTÁ SALVA

J B LAZZARINICaminhando em torno de lagoa existente na região onde moro, ponho-me a observar árvores, gramas, canteiros floridos, água ondulando ao sopro da brisa, cães, pássaros, mosquitos… e um majestoso céu azul aberto como um pálio protetor sobre tudo aquilo. Então falo comigo mesmo, como se fizesse uma descoberta: olhe aí no conjunto desta paisagem os quadros de Lazzarini, que sintetizam de maneira mágica todas as paisagens das Gerais! A minha impressão naquele momento era exatamente esta, pois havia acabado de ver, em seu atelier, na véspera, todas as unidades da exposição que fez no Museu Inimá, durante o primeiro semestre de 2010, as quais só posso descrever assim: não só vejo estes quadros, mas também os escuto, entro neles como se entra em bosques e chego a sentir no rosto o frescor da brisa, a quentura do sol filtrando-se entre ramas, a ouvir o coaxar de sapos e rãs, o trilar de grilos, o alegre gorjear de passarinhos e o farfalhar do vôo de solitária garça; até sinto nas mãos o macio aveludado da pele das folhas e a frescura das águas de inumeráveis lagoas como esta, em volta da qual ando, pensando este texto para publicar neste site.

As obras observadas lá no atelier e as coisas ali mostradas pela natureza entravam-me pelos sentidos e pelos sentimentos, causando a emoção de inusitado alívio. Este se deve ao fato de que, se elementos paisagísticos vinham sendo há muito tempo inseridos, de forma acanhada, esporádica e às vezes até aleatória, nas composições dos antigos egípcios, gregos, romanos e medievais; se importantes referências de paisagens foram usadas em fundos de quadros como mero plano de sustentação a temas desenvolvidos à frente, desde o quatrocentos até os últimos românticos do século XVIII; se só ganhou status de gênero artístico de criação independente em Fontainebleau, com os pintores de Barbizon do princípio do século XIX e veio sendo modificado e adaptado às exigências do Modernismo ao longo daquele século, desde o Impressionismo até os primeiros movimentos artísticos do século XX – com o advento e predomínio do Abstracionismo a partir do final da segunda década daquele século, o gênero paisagem se viu superado, como de resto todo o figurativismo.

É verdade que, paralelamente à evolução do abstrato e da vanguarda que se lhe seguiu, até à contemporaneidade, um contingente consideravelmente grande de pintores denominados acadêmicos insistiu em manter em uso a fatura dos primeiros paisagistas do século XIX, apenas aperfeiçoando lhes a técnica e a ‘visão fotográfica’. Esses pintores conseguiram, até certo ponto, fazer uma arte digna até um pouco além de meados do século XX, pois tinham a mostrar algo mais do que um simples virtuosismo técnico. Os pintores do ramo, que se lhes seguiram e persistem ainda hoje, por incrível que possa parecer, só mantiveram deles a busca da perfeição técnica e fotográfica (perfeição esta que ilude sobremaneira o público menos avisado) e, estes sim, por sua ilusão de estar fazendo arte, se encarregaram de extraviar, definitivamente, daquilo que pintavam e ainda pintam, o estilo da criação – ressalvados os chamados paisagistas naïfs, que fazem uma arte espontânea e criativa, sem ter relação com época nenhuma.

A paisagem estava morta. Viva a paisagem! podemos hoje exclamar, em vendo esta cativante série de pinturas de JB Lazzarini. A paisagem está salva! Até que enfim temos uma nova maneira de se criar paisagem num suporte pictórico, uma paisagem completamente inaudita e diferente de tudo quanto, ao longo de vários séculos, os artistas vieram explorando à exaustão, a ponto de se acreditar que o gênero estava esgotado. Isto para o crítico é alívio; para o público, regozijo.

Afinal, JB nos emociona agora com paisagens em tudo renovadas, passando-nos essa imagem de renovação em pinturas incrivelmente assépticas em suas cores pelo próprio artista preparadas a partir de pigmentos escolhidos, passadas sobre campos chamados geometrizados em tonalidades diferentes e originais, em cujos intermezzos inventa uma surpreendente simbologia referencial, na qual encontramos o renascimento da paisagem. É por intermédio desta simbologia que logra humanizar alguns movimentos ligados ao geometrismo, nos quais nosso pintor planta as suas raízes, tais como o Abstracionismo Geométrico, o Virtualismo Pictórico, a Op-Art principalmente e outros posteriores, cuja humanização também nos surpreende, dada a sua amplitude.

A paisagem está salva!!!

CURIOSIDADES SOBRE LEONARDO DA VINCI

Leonardo da Vinci foi um alienígena gênio que vivem entre abril de 1495 e maio de 1519, de nacionalidade italiana.

Era um verdadeiro polímata, tendo atuado como botânico, pintos, escultor, físico, arquiteto, engenheiro, fisiólogo, químico, geólogo, cartógrafo, matemático, mecânico, inventor, anatomista, escritor, poeta e músico. Sobrenaturalmente genial.

Vasari, o descreveu da seguinte forma: “no decurso normal dos tempos nascem muitos homens e mulheres possuidores de talentos características notáveis; mas ocasionalmente, de uma forma especial que transcende o natural, uma única pessoa é maravilhosamente dotada pelos céus com beleza, graça e talento em tanta abundância que deixa os outros homens muito para trás… todos reconhecem que esta é a verdade acerca de Leonardo da Vinci, um artista de beleza física invulgar que se comporta com infinita elegância em tudo o que faz e que cultiva o seu génio tão brilhantemente que todos os problemas que estudou foram resolvidos com simplicidade. Possuía grande força e destreza; foi um homem de esplêndido espírito e com uma tremenda inteligência…”.

O retrato mais popular, autorretrato, aceito como sendo de Leonardo da Vinci está reproduzido abaixo. Cabelos longos, mas já rareando (naquele tampo não havia nenhum tratamento para calvície) e barba longa. Leonardo viveu 67 anos e este retrato mostra uma pessoa que aparenta ter idade superior a esta, o que leva alguns estudiosos a afirmarem que não é dele e outro a defenderem que ele envelheceu o autorretrato de propósito.

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Algumas curiosidades sobre Leonardo da Vinci

  • Aprendeu a tocar lira ainda na infância. Criou uma lira com forma de cabeça de cavalo, feita quase inteiramente em prata.
  • Sentia grande amor pela natureza e animais, de tal forma que tornou-se vegetariano e em ocasiões comprava pássaro somente para os soltar das gaiolas.
  • Era canhoto e, por isso, escrevia em modo espelho lhe era mais fácil; por causa disso, foi falsamente acusado de tentar ocultar seu trabalho.
  • Alguns antropólogos italianos dizem ter conseguido reconstruir a impressão digital do dedo indicador de Da Vinci. Isso oferece a possibilidade de se descobrir muitas outras coisas sobre o grande gênio.

A humanidade deve muito a esse gênio que resolveu visitar a terra e deixar aqui grandes obras em diversas áreas do conhecimento humano, ajudando a avançar a humanidade nas respectivas áreas em que atuou, com um enorme legado; destaque para a obra Monalisa que hoje seria o quadro mais caro do mundo se estivesse à venda.